No início do ano, Eliane nos encomendou dois slings para presentear alguns bebês de amigos, em Sampa. Quando veio buscá-los, descobrimos sua formação profissional e, aproveitando-nos da sua simpatia, pedimos que nos escrevesse "umas três linhas" avaliando o uso do sling, já que um dos maiores medos das pessoas é que ele faça mal à coluna dos bebês.
Já tínhamos vários outros clientes da área de saúde, entre os quais fisioterapeutas e pediatras. Mas Eliane tem um currículo invejável: é formada em fisioterapia, doutora e pós doutora em Ciências Morfofuncionais, coordenadora do Laboratório de Percepção Corporal e Movimento da Universidade São Judas Tadeu (SP) e orientadora nas pós graduações de Educação Física e Ciências do Envelhecimento na mesma instituição, além de tesoureira geral da Sociedade Brasileira de Anatomia (para detalhes ainda maiores sobre sua formação acadêmica, clique aqui).
O texto abaixo foi produzido por ela especialmente para nós, portanto pedimos a outros fabricantes e/ou leitores que a fonte seja devidamente citada, caso queiram reproduzi-lo fora daqui. Os grifos são nossos! A Eliane, mais uma vez, nosso abraço e nosso muitíssimo obrigada!
Os bebês podem ser carregados de diferentes maneiras: envolvido anteriormente, posteriormente, lateralmente ou sem envoltório. O uso de um envoltório para carregar o bebê facilita as tarefas, pois deixa as mãos livres. Entretanto, o mesmo não acontece quando não se usa envoltório algum (Singh, 2009).
Schön and Silvén (2007) citam diversas vantagens em carregar o bebê. A proximidade com o seio materno possibilita sua amamentação a qualquer momento. Estando o bebê próximo ao corpo, permite-se a ele ouvir o som que ouvia quando estava no útero materno, os batimentos cardíacos. Estudos mostram que bebês que foram expostos ao som de batimentos cardíacos choram menos, se acalmam mais rapidamente, e são de modo geral mais saudáveis que bebês que não foram expostos a esse som. O movimento do corpo materno, ou de quem carrega o bebê, enquanto conduz suas atividades diárias, leva o bebê ao um sono mais profundo e tranquilo. Além disso, a proximidade corporal facilita a termoregulação do bebê e evita a perda excessiva de calor.
Outro benefício apontado por Schön and Silvén está relacionado ao desenvolvimento físico do bebê, pois nesta fase da vida a coluna vertebral é arredondada (na forma da letra “C”) e os membros inferiores estão geralmente fletidos e abduzidos. Se a mãe leva isso em consideração no momento de escolher a forma de carregá-lo, certamente estará possibilitando uma postura mais anatômica ao seu bebê.
Uma característica típica do bebê humano e que o diferencia de outros animais é o grau de dependência ao nascimento e por longo período de tempo. O fato de carregar o bebê junto ao corpo enquanto ele ainda se desenvolve e amadurece o sistema nervoso torna essa proximidade como uma quase continuação do processo de gravidez, uma exterogravidez, uma gravidez fora do útero (Schön and Silvén, 2007).
Uma característica típica do bebê humano e que o diferencia de outros animais é o grau de dependência ao nascimento e por longo período de tempo. O fato de carregar o bebê junto ao corpo enquanto ele ainda se desenvolve e amadurece o sistema nervoso torna essa proximidade como uma quase continuação do processo de gravidez, uma exterogravidez, uma gravidez fora do útero (Schön and Silvén, 2007).
Após convencer-se dos benefícios de carregar o bebê próximo ao corpo, a etapa seguinte é saber escolher a melhor maneira de carregá-lo. Existem no mercado slings e “cangurus” que apresentam suas facilidades, entretanto, nenhum deles será perfeito para toda e qualquer ocasião. Deve-se levar em consideração no momento da escolha a praticidade, a eficiência, o conforto (de quem carrega e do bebê), a segurança, o manuseio. É importante lembrar que recém-nascidos não devem ser carregados em posição vertical, pois essa posição comprime a coluna vertebral e pode prejudicar o desenvolvimento das curvaturas da coluna. Nesse aspecto os slings são perfeitamente indicados, pois propiciam apoio para o pescoço ainda imaturo do bebê e distribui horizontal ou obliquamente o peso ao longo do corpo, tal qual estivesse nos braços da mãe.
Profa. Dra. Eliane Florencio Gama - Coordenadora do Laboratório de Percepção Corporal e Movimento - Universidade São Judas Tadeu (São Paulo – SP) - prof.efgama@usjt.brReferências:
Schön RA, Silvén M (2007) Natural parenting: Back to basics in infant care. Evol Psych 5:102-183.
Singh E (2009) The effects of various methods of infant carrying on the human body and locomotion. http://dspace.udel.edu:8080/dspace/handle/19716/4373 (acessado em 16/02/2010).
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