"O sling entrou na minha vida por acaso...viajando Orkut afora, já grávida, esperando meu príncipe-rei Davi. Comuniquei-me com a Mariana e logo estava com o meu.E de repente meu filho nasceu. E aquele carregador diferente que eu julgava dever usar para desfilar meu filho por exemplo, num shopping, incorporou-se à nossa rotina, e eu começava a usá-lo meio como se fizesse parte mesmo do puro instinto que envolve a chegada de um bebê. Nos momentos em que meu pequeno queria aconchego, sentia cólicas, ou mesmo quando meu corpo implorava por um breve descanso na poltrona e o neném não queria deixar, lá ficávamos, barriga com barriga, curtindo o silêncio das nossas respirações e o pulsar dos nossos corações, novamente coladinhos.
Assim fomos nos apresentando, sling e eu. Ajusta dali, folga daqui, e logo encontramos nossa sintonia: um trio inseparável foi formado: mamãe-neném-casulinho.
Alguns meses se passaram e por algumas tristes circunstâncias, me vi só com meu filho. Sós, numa casa, numa cidade com apenas alguns parentes distantes, e um mundo tão grande para encarar. A licença maternidade acabou, o trabalho voltou...e lá vamos nós então, agarradinhos, começando a desbravar a cidade, saindo junto com o sol... atraindo olhares curiosos e perguntas interessadas, descobri o quão fundamental seria o sling na nossa nova rotina, pois trabalho numa creche e nela matriculei meu filho, levando-o comigo todos os dias.
Outras pessoas não podem imaginar como simplesmente parece que o sling foi pensado para quem usa ônibus! Primeiramente porque assim que subo, o ‘motô’ mal fecha as portas já está arrancando, então posso me segurar enquanto o Davi está firme no sling. Depois que consigo sentar, tiro as perninhas dele para baixo, de forma que o que era um casulo vira um improvisado cinto de segurança entre ele e eu, que mais uma vez me permite segurar e nos manter firmes apesar das curvas obtusas. E quando o pequeno resolve cochilar no embalo das rodas como todo bebê gosta, já ajusto o casulinho e ao descer, ele já está bem deitadinho e mais uma vez posso segurar-me tranqüila e descer. Até os bolsos são perfeitamente estratégicos, pois consigo levar sempre tudo que preciso sem necessidade de excesso de apetrechos, tipo bolsa e sombrinha, coisas desnecessárias, papéis que o sling cumpre muito bem!

E se vamos ao supermercado, tem coisa melhor do que fazer compras com ele bem juntinho? E quando bate aquela fominha? Como dar de mamar? Vira, ajusta, deita, cobre e: improvisa! Acho mesmo que nenhuma mulher antes havia amamentado enquanto anda, até a invenção do sling....
Nos fins de semana, quando me aproximo do cercado já ‘vestida’ no sling para pegar o Davi, ele já começa a pular e gargalhar, pois sabe que chegou a hora de passear com a mamãe. E ao colocá-lo dentro ele saltita como quem cavalga e ri como se dissesse “vamos lá!”
E em pouco tempo estamos num fim de tarde olhando o mar. Ele se recosta sobre mim, com ares de cúmplice e silencia, como eu, a contemplar. Somos dois, sim. Mas não somos SÓ dois,ou apenas, como possam dizer. Somos duas almas unidas, suficientes uma à outra para enfrentar o mundo inteiro, unidos por um forte laço...mas para quem nos vê ao longe esse laço pode mesmo ter cor, comprimento e nome: casulinho."
















